Acorda Brasília! – Minha experiência

age20130620650O sobrenome é significado.
O nome é falta de.

Estou triste. Quem viu meus dois últimos posts (x e x) talvez estranhe a minha forma de falar agora, mas eu passei de alguém que sonhava e lutava para dias melhores e mudanças para alguém que prefere assistir as manifestações da televisão de casa.

Eu trocava facilmente os quase 50 mil de quinta pelos meus 10 mil de segunda…

Não se ouviam vozes juntas, nem gritos unidos. Vi gente fumando, vi gente drogada, vi gente bebendo. Vi gente se beijando. Vuvuzelas, tambores, gente tirando foto fazendo pose e mais me pareceu uma festa do que qualquer coisa. Mal cantamos o hino! Daí a questão é: não é da minha conta o que você faz ou deixa de fazer, mas acho que em lugares e manifestações assim o coletivo deve prevalecer, certo? Eu queria a causa. Aquele sentimento romântico de gritar frases juntas estendendo os braços e sorrindo uns para os outros. “Copa, eu abro mão! Quero dinheiro para saúde e educação!”
E ainda assim, tava lindo. Mas não tava lindo. Entende? Éramos tantos! Poderíamos ter ido tão longe..

Como não conseguiram invadir o Congresso Nacional dessa vez, começou: coquetel molotov, agressão aos policiais (inclusive um que foi ferido por que jogaram uma garrafa de vidro com fogo dentro na cabeça dele) e o quebrar por quebrar. Quebraram o Itamaraty, tacaram fogo, quebraram o vidro da Catedral, queriam tacar fogo na bandeira. Uma frase que eu ouvi e resume tudo: “O problema não é vandalismo, ele é necessário às vezes. O problema é o vandalismo sem foco e sem sentido.”

Fui embora passando muito mal por causa das bombas de efeito moral que os policiais jogaram, e com o efeito piorado por causa da minha asma… E não tenho vontade de voltar. Sei lá…Segunda feira foi tão lindo. Perdeu-se o significado, e eu não sei se temos a capacidade de trazê-lo a tona de novo.

Por último, com relação à declaração da Dilma: gostei.
Ela deu três medidas práticas de uma vez só para cada uma das nossas principais reivindicações (saúde, educação e transporte). “Ah, duvido que ela vai cumprir!”: olha, pior do que tá não fica. E se a presidente do Brasil foi à televisão dar a cara a tapa e propôs uma solução, acho que o mínimo que podemos fazer é dar um voto de confiança e esperar para ver o rumo que as coisas vão levar, certo?
Mas a única coisa que realmente me incomodou no discurso dela foi a questão dos médicos. Dilma, meu anjo: tem 55 mil médicos esperando validação do diploma aqui no Brasil e você vai trazer mais da Europa? Sério? Quando eles chegarem aqui, eles não vão ter de validar os diplomas deles também não?

Enfim.
Espero mesmo que as coisas melhorem, tomem um rumo e que essa onda de caos suma desse Brasil. :/

 

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Marcha do vinagre em Brasília – minha experiência!

994790_10152031892203849_1585717498_n A foto principal não poderia deixar de ser essa. ♥

“COPA, EU ABRO MÃO! QUERO DINHEIRO PRA SAÚDE E EDUCAÇÃO!”
“O POVO, UNIDO, JAMAIS SERÁ VENCIDO!”
“EU SOU BRASILEIRO, COM MUITO ORGULHO, COM MUITO AMOOOOOOR!”
E, claro:
“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas de um povo heróico um brado retumbante…”

Tá vendo como segundas feiras podem ser lindas?

collage White monday com a boba, pano branco na janela e dois avisos no mural do ICC sul, na UnB. ♥

Três movimentos no mesmo dia: white monday (todos de branco!), vem pra janela (panos brancos na janela) e, o melhor: MARCHA DO VINAGRE!
Coloquei minha blusa branca, pendurei outra no parapeito da minha casa e fui para minha aula na UnB pela manhã. O amor começou já no 110 quando eu vi umas 30 pessoas só naquele ônibus usando blusas brancas! Lá dentro, vi cartazes sobre a manifestação. Acabou a aula, almoçamos, foi dando a hora… E pronto, 16h.

yegaiudsgiaudgiasudhgiasu

Chegamos no Museu Nacional de Brasília pouco depois das quatro da tarde e estava lotado! Muitas, muitas pessoas e vários carros da polícia já estavam presentes. Vi gente sorrindo, vi gente com cartazes, vi rostos pintados de verde e amarelo. Vi jovens e vi adultos. Vi duas mulheres na minha frente, de cabelo branquinho, gritando e enroladas com a bandeira. Vi o MEU POVO.
Fomos andando no eixão em duas faixas. Três. Quatro. Cinco. Há! Pegamos as seis faixas – fecharam a pista para nós. No começo, estávamos todos tensos porque a última manifestação, sábado passado, tinha sido muito violenta… Mas os policiais caminhavam quietos ao nosso lado, fazendo a barreira. Gritamos, batemos palmas. Sentamos no chão, em pleno Eixo Monumental, demonstrando que a manifestação era pacífica. “Estamos aqui, não vamos fugir, queremos justiça!”.

auauauauauauauaua

Caminhamos e chegamos em frente ao Congresso Nacional. Eu estava lá na frente, e os policiais bloquearam a rampa de acesso principal. Olhei para trás e vi uma multidão! Muita, muita gente até onde a vista alcançava… E foi uma visão tão linda. No gramado, ao lado do espelho d’agua, na frente da rampa: gente gritando, gente feliz, gente cantando, gente. Foi então que as primeiras pessoas pularam no espelho d’agua, e começaram a tentar furar a barreira policial para “invadir” o Congresso e, então, os policiais usaram spray de pimenta, uma bomba de efeito moral e cacetetes nos mais atrevidos. “VEM TODO MUNDO! O POVO, UNIDO,  JAMAIS SERÁ VENCIDO!”, e ficamos nesse “invade, não invade”  por um tempo.  Mais pessoas começaram a entrar no espelho d’agua.

Uma cena linda: eu, dentro do espelho d’agua, com uma amiga que estava comigo. Um menino passa distribuindo máscaras, eufórico, para o caso de usarem outra bomba de gás. Pouco tempo depois, uma outra menina se aproximou sorrindo e colocou um pouco de vinagre nas nossas máscaras. “Vamo lá que esse Congresso é nosso e o povo vai todo junto”!

De repente, gritaram: “LATERAAAAAAAAAAL!” e o povo todo se dispersou para o lado direito do congresso, que dava “acesso” ao teto do Congresso. Todo mundo começou a correr e os policiais foram juntos: quando levei um cacetete de raspão no braço, subi um “morro” de grama em dois segundos e nem sei como (e tive um ataque de asma quando cheguei lá em cima). Corremos mais. SUBIMOS! AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!

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945912_10201576001301737_920796275_nFoto horrível, mas o significado é muito nítido para mim. Eu, a Mari e duas meninas que eu nem conhecia em cima do Congresso Nacional. Não vou esquecer isso nunca!

Não dá pra descrever o que foi aquilo. O povo na grama, o povo no teto, o povo no espelho d’agua. O povo, que acabou por invadir a rampa depois. O povo refletido nas cúpulas, frente a luz (justamente a foto inicial). E o povo, lá em cima, cantando o hino nacional.

Em cima do Congresso Nacional.
Cantando o Hino Nacional da República Federativa do Brasil.

E a vontade de chorar? E o sentimento de orgulho que transborda bem maior do que as minhas palavras?
Esses eu deixo aqui dentro, onde vai ficar pra sempre na minha memória.

Momentos (e suas resoluções):
Um grupo de punks que estavam lá picharam o Congresso com um “A” entre círculo, simbolizando o anarquismo. Depois, alguns manifestantes voltaram com tinta branca e pintaram. ♥

Policiais deram UM único tiro de bala de borracha. Todos os manifestantes pararam tudo e começaram a vaiar. “SEM VIOLÊNCIA! SEM VIOLÊNCIA!”, gritando e cantando… E não deram mais nenhum tiro. É algo para se elogiar, não? A polícia foi exemplar.

PSTU apareceu querendo pegar um pouquinho da manifestação para si. Foi xingado, vaiado. A manifestação é apartidária!

Sem títuloasdihasiudhaiusd Esse cara, com esse cartaz!

Gente na rua (no começo, antes de fecharmos tudo) passando com os carros, buzinando, levantando mãos e sorrindo para os manifestantes.

Policiais (alguns, não todos) sorrindo.

E, claro, essa visão que eu tive:

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Por último, queria deixar aqui um dos momentos mais bonitos da manifestação inteira:

O BRASIL INTEIRO SE MOVEU!
Foram mais de 20 estados e 400 manifestações pelo Brasil. E o Rio, minha gente? 100 mil SÓ NO RIO! Foram belíssimos 250 mil pessoas nas ruas, unidas, mãos com mãos.
Não deixe de ir nas manifestações da sua cidade! Não deixe de participar, não deixe de falar, gritar, lutar junto com a gente. VEM PRA RUA!

E se você é de Brasília, tem manifestação hoje a tarde, no museu, às 16h. YEEEEEEY!!!!

Verás que um filho teu não foge à luta! – Sobre as manifestações acontecendo pelo Brasil

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Eu sinceramente não pensei que viveria para ver alguma mudança acontecendo nesse país. De verdade, sabe? A mudança onde o povo se une – mãos, cartazes, voz e coração – pela pátria que também é nossa.

A questão é, para quem não está sabendo direito ainda: a tarifa dos ônibus, em SP, passou de 3,00 para 3,20 e a população de lá fez uma manifestação (dia 13) que acabou sendo violenta, por causa da grande repressão policial. Depois disso, ontem (dia 15), começaram várias manifestações Brasil a fora apoiando SP e, também, com o tema “Copa para quem?” principalmente em Brasília e no Rio de Janeiro.
E agora, já deixou de ser 20 centavos a muito tempo. A luta agora é muito maior: é por saúde, por transporte público de qualidade, pelos gastos públicos que estão sendo usados com a copa, por hospitais, por educação e por PAZ.

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Vou falar sobre Brasília, minha cidade, e onde a coisa toda é muito mais palpável. A manifestação de ontem, dia 15, foi na frente do Estádio Nacional na hora do jogo Brasil x Japão da Copa das Confederações. Do lado de dentro, no estádio, a Dilma foi vaiada. Do lado de fora, a manifestação ocorreu e foi pacífica: blusas brancas, cartazes, gritos e até alguns com flores nas mãos. E o que aconteceu? Repressão.  Bombas de gás lacrimogênio, tiros com balas de borracha, gente apanhando de policial, gente sendo presa.

No Brasil inteiro: policial perseguindo e passando com a MOTO em cima de manifestante. Policial com spray de pimenta a menos de 50cm. Garoto tendo de pagar 20.000 de fiança depois de ter sido preso por exercer o direito de manifestação (veja aqui). Garota levando 9 pontos na cabeça por causa de uma bomba lançada (veja aqui e aqui). Gente recebendo bala de borracha dentro de casa porque estava filmando o movimento. Policial quebrando o vidro da própria viatura e incriminando os manifestantes. Jornalistas (veja aqui), passantes, gente inocente. E uma das coisas mais absurdas: a polícia prendeu um manifestante que já estava na casa dele, depois que a manifestação acabou.
“A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.” Constituição, artigo 5° inciso XI.

E o direito de manifestação nessa democracia, cadê?
A DEMOCRACIA, CADÊ?

collage Essa imagem me dá vontade de chorar…

E o pior é que a culpa não é dos policiais. Eles são apenas funcionários do governo! O problema é o governo por si só.
Esse post é um pedido: ACORDEM! Não se deixem alienar. Procurem se informar sobre o que realmente está acontecendo, vejam fotos, notícias confiáveis e conversem com quem esteve lá antes de tomar partido na manifestação. A mídia está sendo manipulada! Ela está mostrando os manifestantes como delinquentes, TERRORISTAS, vândalos, desocupados e violentos e não é isso o que está acontecendo. 

“Isso vai manchar a imagem do Brasil lá fora.”
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995666_10151695505954120_145614813_n Ou seja: até o mundo lá fora enxerga o que realmente está acontecendo. A visão que eles têm não é contra as manifestações, mas CONTRA a repressão!

E sobre ontem, dois depoimentos de gente que estava lá:
Brasília, o que foi isso hoje? 
A parte da manifestação que eu presenciei, mas a mídia não mostra: Senhor idoso (torcedor) levando tiro de bala de borracha na barriga. Mulher grávida (torcedora) passando mal com bomba de gás lacrimogênio. Polícia soltando os cães em cima dos manifestantes. Polícia agredindo fisicamente e verbalmente uma manifestante, puxando bruscamente seus cabelos e a chamando de ”vadia” e ”vagabunda”. Polícia afastando manifestantes a pontapés. Polícia, polícia, polícia…” – Giulia Melo.

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“Obrigado Brasil, pelos tiros de borracha, bombas de gás e atropelamentos numa manifestação pacifica. Agradecemos a violência e brutalidade que tratam aqueles que querem fazer valer os seus direitos, pois aqui, o que mais vale são as aparências.

Brasil, as custas do sangue da população, você conseguiu dar seu show aos estrangeiros, porém vocês não contavam com a mancha negra que iria surgir no meio da grama e jogar as verdade na cara de vocês. Não tinham armas, equipamentos e nem proteção, no entanto havia verdade e contra a verdade não há violência que a faça sumir. 

A fumaça de gás lacrimogêneo dispersou mas não ofuscou as palavras de protesto, pelo contrário, fez palco e cenário para a estupidez e censura praticada pela política do nosso pais. Obrigado Brasil, você só mostrou que os cartazes estavam certos, provou na frente das câmeras, repressão é a resposta a população que reivindica o que é seu.” – Wellington Mota

Vocês podem ver?
As provas estão aí: nas fotos, nos vídeos, nos relatos. E essa luta é de todos nós!

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Precisamos lutar e precisamos do maior número de pessoas unidas. Manifestações estão acontecendo em todo o Brasil! Não deixe de ir, não deixe de se posicionar. É O SEU PAÍS! VEM, GENTE! VEM LUTAR! Vem, “que o Brasil vai tá gigante, grande como nunca se viu”.

“Ainda fazem da flor seu mais forte refrão e acreditam nas flores vencendo o canhão” – Pra não dizer que não falei das flores

 Se você tem medo ou não pode ir às manifestações, então ao menos participe de duas manifestações “silenciosas” amanhã, dia (17/06): saia de branco! Vista roupas brancas amanhã e pendure camisas brancas na janela de sua casa, como sinal de apoio ao movimento.

O Brasil está começando a acordar. Saiam da inércia, do comodismo, da alienação. Vamos dar as mãos! VEM VOCÊ TAMBÉM!

p.s.: Aqui em Brasília terá manifestação amanhã, dia 17/06, às 16hrs na Rodoviária. Vamos juntos!