A culpa é das estrelas – e principalmente do John Green!

globo

Aviso: ESSE. POST. TEM. SPOILERS.
Na verdade, não fala nada do desenvolvimento nem do final do livro, mas fala de coisas do livro, claro, e você poderá ficar chateado(a) se ler. Mas é você quem sabe!

(Se você não leu A culpa é das estrelas, provavelmente não vai entender direito. E se não leu também, recomendo muito que crie vergonha e vá ler. Veja aqui a resenha!)

Quando terminei de ler A culpa é das estrelas, do John Green, fiquei fascinada.
Fascinada porquê uma das coisas mais legais do livro é que, assim como eu, a Hazel tem um livro preferido. O Gus tem uma banda preferida.
E acho que esse é um dos motivos que faz esse livro me parecer tão real. Do tipo: eles são apenas pessoas comuns e tal, como eu e você.

Uma aflição imperial

Fan art encontrada na internet. Se você é o autor, avise! :)

Meu primeiro impulso, claro, foi procurar sobre o livro preferido da Hazel: Uma aflição imperial.
O livro que a Hazel ama, por se identificar com Anna (a protagonista que também tem câncer) e gostar da forma que o Peter Van Houten escreve. O livro que ela acha genial, e que fez o Gus se apaixonar tanto quanto ela.
Bom, o livro não existe.
Sim, isso significa que eu nunca vou poder ler o livro preferido da Hazel e tentar descobrir por mim mesma o que acontece com a mãe da Anna, com a própria Anna e não vou poder saber qual é a frase que é interrompida ao meio, exatamente onde o livro termina.

O preço do alvorecer!

Outra fan art encontrada na internet! :)

O preço do alvorecer (The price of dawn), jogo de videogame preferido do Augustus Waters: também não existe. Então, para os garotos (e garotas!) de plantão que estavam esperando um jogo genial do tipo Assassin’s Creed…

The hectic glow

Essa é uma fan art que veio daqui. :)

The hectic glow, a banda preferida do Augustus Waters. Adivinha?
Também não existe!

Mas, se você procurar por “the hectic glow” no youtube, achará cerca de 4 músicas com temas do livro. O que acontece é que um grupo de fãs do John Green criaram a banda a partir de covers e composições próprias como forma de homenagem ao livro, mas é apenas isso. Não se sabe quem são os integrantes ou qualquer coisa disso. Foi uma forma que alguns fãs encontraram de aproximar o mundo de A Culpa É das Estrelas com a nossa realidade. :)
Mas não, infelizmente, a banda de verdade não existe (assim como todas as outras coisas do livro!)
Leia mais aqui e aqui. (em inglês)

 ♥

Essa fan art veio daqui. ♥

E essa é outra fan art (linda!) que pode ser o mais próximo que vamos poder nos aproximar do mundo do Hazel e do Gus – além do que nossa imaginação nos permite.

E há também algumas curiosidades inteligentes (que, quando descobri, só aumentou meu nível de admiração pelo John) no livro:

1. O nome da personagem principal é Hazel Grace Lancaster.
Hazel é o nome de uma cor. Essa cor puxa tanto para o verde quanto o castanho – mas não é nenhum dos dois. É como se não fosse nem isso, nem aquilo, mas não é por isso que ela deixa de ser bela.
Lancaster é o nome de uma cidade (americana, e há outra de igual nome no Canadá e no Reino Unido) e isso faz referência à terra. 

2. Então, temos Augustus Waters. “Água”. A água que faz contraste com Lancaster, a terra. Entendem?
Sem contar que Hazel tem câncer no pulmão, e seu maior problema é que seus pulmões se enchem de água constantemente.

3. Augustus, do Latim, significa “Deus”.

4. Por último, Isaac é um menino que, no livro, tem um problema de visão. Ele faz referência à um personagem bíblico (também chamado Isaque) que, perto de sua morte, ficou cego.

John Green é, portanto, um grande estraga-prazeres bem do jeito genial de ser. Até porquê, talvez as coisas sejam mesmo mais bonitas na nossa imaginação.

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A culpa é das estrelas, por John Green

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É um livro fantástico.

Eu realmente não sei se eu vou conseguir falar direito sobre esse livro, porquê afinal, como você fala sobre algo tão contraditório, tão profundo e tão, tão intenso?

A culpa é das estrelas, livro do John Green, conta a história de Hazel e Gus. Hazel tem 16 anos e tem câncer terminal desde os 13, enquanto Gus é um garoto bonito que um dia, aparece no grupo de apoio a crianças com câncer, que Hazel visita. A partir daí, tudo começa a mudar. Ambos querem sobreviver, sofrem pelo câncer, etc… Certo? Errado.

O que torna esse livro tão fantástico é que ele é um clichê totalmente original. Não é mais um romance previsível sobre a história de dois jovens que se apaixonaram mais vão morrer em breve por causa do câncer e que vai te fazer chorar no final e pensar “Oh, que história triste, o câncer é realmente algo terrível”. Não!

Esse livro é tão… pessoal. Como eu falo sobre um livro que parece que a história também é minha? A Hazel e o Gus são tão reais! Poderiam ser eu, você, amigos, pessoas comuns que a gente encontra na rua. Não é um livro com grandes reviravoltas, grandes acontecimentos, grandes surpresas… é a vida real. É a vida que vivemos de fato: acordamos, tomamos café, as vezes estamos mal-humorados, tem dias que não tem nada pra fazer, sentimos tédio, ouvimos música, lemos livros, choramos com filmes…

Eu me coloquei no lugar da Hazel e do Gus o livro inteiro e é exatamente isso que me fez amar e odiar esse livro com tanta intensidade. John Green mostra a vida de quem tem câncer do jeito que ela é, sem máscaras, sem sensacionalismo, só como a grande droga que é. E isso te faz ter raiva! Te faz ter raiva pensar que doenças assim existam, te faz ter raiva pensar que ela tenha de transformar tantas vidas de forma irreversível, porquê poderia ser você. E é tudo uma imensidão contraditória e sufocante. Ao mesmo tempo que eles já não acreditam na vida, eles tentam sobreviver todos os dias. Ao mesmo tempo que as coisas são banais, elas são importantes. Ao mesmo tempo que o câncer é algo permanente na vida da Hazel e que é um peso na vida dela, câncer é o que menos se fala no livro. E é o que mais se fala, também, porquê é a VIDA dela. Entende? O amor, no livro, também não é romance. O amor é só… amor. É o amor que eles não estavam procurando e não queriam achar, mas está lá. E é lindo!

Eu amo a forma com que a Hazel tem um livro preferido e o empresta para o Gus, amo o jeito que o Gus ouve as músicas da banda preferida dele, amo a metáfora do cigarro, amo (e odeio) a relação deles com o Peter Van Houten, amo a forma com que o John consegue transformar tudo em algo tão incrível de uma forma TÃO banal. É como um tapa na cara.

Tudo é indireto, subjetivo, nas entrelinhas. Eu quero que vocês entendam o quão lindo esse livro é pra mim e o tanto que ele me marcou, mas quem consegue descrever sentimentos?
Ah é. O John Green.

Com relação ao livro por si só: a capa é linda (Com o céu! ♥), a fonte e espaçamento são ótimos e as páginas são amareladas.

Depois desse livro, leio até a lista de compras pro supermercado do John.