O caçador de pipas, por Khaled Hosseini

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“Hassan e eu mamamos no mesmo peito. Demos os nossos primeiros passos na mesma grama do mesmo quintal. E, sob o mesmo teto, dissemos nossas primeiras palavras.
A minha foi baba.
A dele, Amir. O meu nome.
Olhando para trás, agora, fico pensando que os alicerces do que aconteceu no inverno de 1975 – e de tudo o que veio depois – já estavam contidos nessas primeiras palavras.”

Ao meu ver, o caçador de pipas representa o significado da verdadeira amizade. Da verdadeira lealdade, acima de qualquer coisa. Uma lealdade feita pela inocência de duas crianças e moldada pela maldade e pela covardia.
Mais do que palavras: gestos.
Alguém que te entende sem que você abra a boca, que sabe o que você precisa e que não vai medir esforços para te fazer feliz e para estar ao teu lado.

Quão longe você iria por um amigo? Quão forte você é para lutar por ele?
Pequenos momentos que definem uma vida inteira. A covardia, o medo, o calar quando se deve falar. As coisas que passam, as oportunidades perdidas, o desespero, a dor, o remorso. É um daqueles livros que ficam na memória por anos a fio e que doem, machucam a cada vez que você volta a pensar nele.

“Abri a boca e quase disse algo. Quase. O resto da minha vida poderia ter sido bem diferente se eu tivesse dito alguma coisa naquela hora. Mas não disse. Só fiquei olhando. Paralisado.”

Não vou falar muito e nem do quanto eu chorei ou de quão profundamente esse livro me marcou porque, além de perder a graça, acredito que a maioria já leu. Esse livro tem uma linguagem pesada, diferente e difícil de se acostumar, mas vale a pena.

Ele desperta a esperança, e mostra que sempre haverá o erro – mas sempre haverá também a segunda chance.

Minha avaliação: 5 estrelas.

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