O caçador de pipas, por Khaled Hosseini

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“Hassan e eu mamamos no mesmo peito. Demos os nossos primeiros passos na mesma grama do mesmo quintal. E, sob o mesmo teto, dissemos nossas primeiras palavras.
A minha foi baba.
A dele, Amir. O meu nome.
Olhando para trás, agora, fico pensando que os alicerces do que aconteceu no inverno de 1975 – e de tudo o que veio depois – já estavam contidos nessas primeiras palavras.”

Ao meu ver, o caçador de pipas representa o significado da verdadeira amizade. Da verdadeira lealdade, acima de qualquer coisa. Uma lealdade feita pela inocência de duas crianças e moldada pela maldade e pela covardia.
Mais do que palavras: gestos.
Alguém que te entende sem que você abra a boca, que sabe o que você precisa e que não vai medir esforços para te fazer feliz e para estar ao teu lado.

Quão longe você iria por um amigo? Quão forte você é para lutar por ele?
Pequenos momentos que definem uma vida inteira. A covardia, o medo, o calar quando se deve falar. As coisas que passam, as oportunidades perdidas, o desespero, a dor, o remorso. É um daqueles livros que ficam na memória por anos a fio e que doem, machucam a cada vez que você volta a pensar nele.

“Abri a boca e quase disse algo. Quase. O resto da minha vida poderia ter sido bem diferente se eu tivesse dito alguma coisa naquela hora. Mas não disse. Só fiquei olhando. Paralisado.”

Não vou falar muito e nem do quanto eu chorei ou de quão profundamente esse livro me marcou porque, além de perder a graça, acredito que a maioria já leu. Esse livro tem uma linguagem pesada, diferente e difícil de se acostumar, mas vale a pena.

Ele desperta a esperança, e mostra que sempre haverá o erro – mas sempre haverá também a segunda chance.

Minha avaliação: 5 estrelas.

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A culpa é das estrelas, por John Green

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É um livro fantástico.

Eu realmente não sei se eu vou conseguir falar direito sobre esse livro, porquê afinal, como você fala sobre algo tão contraditório, tão profundo e tão, tão intenso?

A culpa é das estrelas, livro do John Green, conta a história de Hazel e Gus. Hazel tem 16 anos e tem câncer terminal desde os 13, enquanto Gus é um garoto bonito que um dia, aparece no grupo de apoio a crianças com câncer, que Hazel visita. A partir daí, tudo começa a mudar. Ambos querem sobreviver, sofrem pelo câncer, etc… Certo? Errado.

O que torna esse livro tão fantástico é que ele é um clichê totalmente original. Não é mais um romance previsível sobre a história de dois jovens que se apaixonaram mais vão morrer em breve por causa do câncer e que vai te fazer chorar no final e pensar “Oh, que história triste, o câncer é realmente algo terrível”. Não!

Esse livro é tão… pessoal. Como eu falo sobre um livro que parece que a história também é minha? A Hazel e o Gus são tão reais! Poderiam ser eu, você, amigos, pessoas comuns que a gente encontra na rua. Não é um livro com grandes reviravoltas, grandes acontecimentos, grandes surpresas… é a vida real. É a vida que vivemos de fato: acordamos, tomamos café, as vezes estamos mal-humorados, tem dias que não tem nada pra fazer, sentimos tédio, ouvimos música, lemos livros, choramos com filmes…

Eu me coloquei no lugar da Hazel e do Gus o livro inteiro e é exatamente isso que me fez amar e odiar esse livro com tanta intensidade. John Green mostra a vida de quem tem câncer do jeito que ela é, sem máscaras, sem sensacionalismo, só como a grande droga que é. E isso te faz ter raiva! Te faz ter raiva pensar que doenças assim existam, te faz ter raiva pensar que ela tenha de transformar tantas vidas de forma irreversível, porquê poderia ser você. E é tudo uma imensidão contraditória e sufocante. Ao mesmo tempo que eles já não acreditam na vida, eles tentam sobreviver todos os dias. Ao mesmo tempo que as coisas são banais, elas são importantes. Ao mesmo tempo que o câncer é algo permanente na vida da Hazel e que é um peso na vida dela, câncer é o que menos se fala no livro. E é o que mais se fala, também, porquê é a VIDA dela. Entende? O amor, no livro, também não é romance. O amor é só… amor. É o amor que eles não estavam procurando e não queriam achar, mas está lá. E é lindo!

Eu amo a forma com que a Hazel tem um livro preferido e o empresta para o Gus, amo o jeito que o Gus ouve as músicas da banda preferida dele, amo a metáfora do cigarro, amo (e odeio) a relação deles com o Peter Van Houten, amo a forma com que o John consegue transformar tudo em algo tão incrível de uma forma TÃO banal. É como um tapa na cara.

Tudo é indireto, subjetivo, nas entrelinhas. Eu quero que vocês entendam o quão lindo esse livro é pra mim e o tanto que ele me marcou, mas quem consegue descrever sentimentos?
Ah é. O John Green.

Com relação ao livro por si só: a capa é linda (Com o céu! ♥), a fonte e espaçamento são ótimos e as páginas são amareladas.

Depois desse livro, leio até a lista de compras pro supermercado do John.