O caçador de pipas, por Khaled Hosseini

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“Hassan e eu mamamos no mesmo peito. Demos os nossos primeiros passos na mesma grama do mesmo quintal. E, sob o mesmo teto, dissemos nossas primeiras palavras.
A minha foi baba.
A dele, Amir. O meu nome.
Olhando para trás, agora, fico pensando que os alicerces do que aconteceu no inverno de 1975 – e de tudo o que veio depois – já estavam contidos nessas primeiras palavras.”

Ao meu ver, o caçador de pipas representa o significado da verdadeira amizade. Da verdadeira lealdade, acima de qualquer coisa. Uma lealdade feita pela inocência de duas crianças e moldada pela maldade e pela covardia.
Mais do que palavras: gestos.
Alguém que te entende sem que você abra a boca, que sabe o que você precisa e que não vai medir esforços para te fazer feliz e para estar ao teu lado.

Quão longe você iria por um amigo? Quão forte você é para lutar por ele?
Pequenos momentos que definem uma vida inteira. A covardia, o medo, o calar quando se deve falar. As coisas que passam, as oportunidades perdidas, o desespero, a dor, o remorso. É um daqueles livros que ficam na memória por anos a fio e que doem, machucam a cada vez que você volta a pensar nele.

“Abri a boca e quase disse algo. Quase. O resto da minha vida poderia ter sido bem diferente se eu tivesse dito alguma coisa naquela hora. Mas não disse. Só fiquei olhando. Paralisado.”

Não vou falar muito e nem do quanto eu chorei ou de quão profundamente esse livro me marcou porque, além de perder a graça, acredito que a maioria já leu. Esse livro tem uma linguagem pesada, diferente e difícil de se acostumar, mas vale a pena.

Ele desperta a esperança, e mostra que sempre haverá o erro – mas sempre haverá também a segunda chance.

Minha avaliação: 5 estrelas.

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Tag: Ler é sempre uma boa idéia!

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Olá, pessoas! :)

Quem me convidou para essa tag foi a Elba e a Giu. Uma é uma das meninas mais próximas de mim, aqui no blog, e outra é minha quase xará fofa!
Eu já disse que não gosto muito de responder tags, né? Mas eu fico tão feliz quando me convidam para uma que vale a pena. Muito obrigada, meninas!

Vamos as regras:

– Citar o nome e o link de quem te enviou
– Indicar 2 livros (no mínimo) que leu em 2012 e gostou.
– Listar 3 livros (no mínimo) que deseja ler em 2013.
– Oferecer para 10 blogs e avisá-los.
– Não esquecer do Selo no post.

– Indicar 2 livros (no mínimo) que leu em 2012 e gostou.

1. A culpa é das estrelas – John Green
2.
 Feliz por nada – Martha Medeiros
3. Clube da luta – Chuck Palahniuk
4. Fazendo meu filme 4 – Paula Pimenta (na verdade, a série inteira!)
5. A menina que não sabia ler – John Harding

 – Listar 3 livros (no mínimo) que queira ler em 2013.

1. Equador – Miguel Sousa Tavares
2. Sociedade Secreta – Diana Peterfreund
3. A inveção de Hugo Cabret – Brian Selznick
4. As vantagens de ser invisível – Stephen Chbosky
5. Apaixonada por palavras – Paula Pimenta

– Oferecer para mais 10 pessoas ou blogs e avisá-los

Marah, Bia, Mona, Letícia e Lih!
Sei que eram 10 pessoas, mas quem eu pensei em convidar já tinha feito…

E é isso!

Até mais, pessoal!

A culpa é das estrelas – e principalmente do John Green!

globo

Aviso: ESSE. POST. TEM. SPOILERS.
Na verdade, não fala nada do desenvolvimento nem do final do livro, mas fala de coisas do livro, claro, e você poderá ficar chateado(a) se ler. Mas é você quem sabe!

(Se você não leu A culpa é das estrelas, provavelmente não vai entender direito. E se não leu também, recomendo muito que crie vergonha e vá ler. Veja aqui a resenha!)

Quando terminei de ler A culpa é das estrelas, do John Green, fiquei fascinada.
Fascinada porquê uma das coisas mais legais do livro é que, assim como eu, a Hazel tem um livro preferido. O Gus tem uma banda preferida.
E acho que esse é um dos motivos que faz esse livro me parecer tão real. Do tipo: eles são apenas pessoas comuns e tal, como eu e você.

Uma aflição imperial

Fan art encontrada na internet. Se você é o autor, avise! :)

Meu primeiro impulso, claro, foi procurar sobre o livro preferido da Hazel: Uma aflição imperial.
O livro que a Hazel ama, por se identificar com Anna (a protagonista que também tem câncer) e gostar da forma que o Peter Van Houten escreve. O livro que ela acha genial, e que fez o Gus se apaixonar tanto quanto ela.
Bom, o livro não existe.
Sim, isso significa que eu nunca vou poder ler o livro preferido da Hazel e tentar descobrir por mim mesma o que acontece com a mãe da Anna, com a própria Anna e não vou poder saber qual é a frase que é interrompida ao meio, exatamente onde o livro termina.

O preço do alvorecer!

Outra fan art encontrada na internet! :)

O preço do alvorecer (The price of dawn), jogo de videogame preferido do Augustus Waters: também não existe. Então, para os garotos (e garotas!) de plantão que estavam esperando um jogo genial do tipo Assassin’s Creed…

The hectic glow

Essa é uma fan art que veio daqui. :)

The hectic glow, a banda preferida do Augustus Waters. Adivinha?
Também não existe!

Mas, se você procurar por “the hectic glow” no youtube, achará cerca de 4 músicas com temas do livro. O que acontece é que um grupo de fãs do John Green criaram a banda a partir de covers e composições próprias como forma de homenagem ao livro, mas é apenas isso. Não se sabe quem são os integrantes ou qualquer coisa disso. Foi uma forma que alguns fãs encontraram de aproximar o mundo de A Culpa É das Estrelas com a nossa realidade. :)
Mas não, infelizmente, a banda de verdade não existe (assim como todas as outras coisas do livro!)
Leia mais aqui e aqui. (em inglês)

 ♥

Essa fan art veio daqui. ♥

E essa é outra fan art (linda!) que pode ser o mais próximo que vamos poder nos aproximar do mundo do Hazel e do Gus – além do que nossa imaginação nos permite.

E há também algumas curiosidades inteligentes (que, quando descobri, só aumentou meu nível de admiração pelo John) no livro:

1. O nome da personagem principal é Hazel Grace Lancaster.
Hazel é o nome de uma cor. Essa cor puxa tanto para o verde quanto o castanho – mas não é nenhum dos dois. É como se não fosse nem isso, nem aquilo, mas não é por isso que ela deixa de ser bela.
Lancaster é o nome de uma cidade (americana, e há outra de igual nome no Canadá e no Reino Unido) e isso faz referência à terra. 

2. Então, temos Augustus Waters. “Água”. A água que faz contraste com Lancaster, a terra. Entendem?
Sem contar que Hazel tem câncer no pulmão, e seu maior problema é que seus pulmões se enchem de água constantemente.

3. Augustus, do Latim, significa “Deus”.

4. Por último, Isaac é um menino que, no livro, tem um problema de visão. Ele faz referência à um personagem bíblico (também chamado Isaque) que, perto de sua morte, ficou cego.

John Green é, portanto, um grande estraga-prazeres bem do jeito genial de ser. Até porquê, talvez as coisas sejam mesmo mais bonitas na nossa imaginação.

Duas resenhas que eu nunca irei fazer

Da minha lista gigantesca de filmes e livros que eu já vi/li e me emocionaram, dois deles são tão, tão pessoais pra mim que eu já passei da fase de conseguir fazer uma resenha sobre algum deles.

De tal forma que algo se mistura contigo e com quem você é. Te muda, te move, te marca. E talvez seja bobagem, mas eu não consigo falar sobre eles sem ter vontade de chorar… Na verdade, eu não consigo falar. Eu simplesmente não sei lidar com eles

São eles:

A menina que roubava livros, livro por Makus Zusak.
A vida é bela, filme de Roberto Benigni.

O primeiro era leitura obrigatória na escola, que eu prontamente ignorei e só fui ler cerca de três anos depois. O segundo eu assisti pela primeira vez apenas a metade, com 10 anos de idade, numa viagem de família, e lembro de ter chorado e nunca ter esquecido. Anos e anos depois, continua a mesma coisa.

Talvez o fato de ambas as histórias se passarem durante o nazismo e o holocausto na antiga Alemanha de Hitler.
Talvez o fato de serem duas crianças.
Talvez o fato de serem, também, dois adultos com alma de criança.
Talvez a sensibilidade, a delicadeza, a esperança.
Talvez seja o querer acreditar, mesmo que só um pouquinho – mesmo que só até onde conseguir.
Talvez seja o “buongiorno, principessa!”, talvez o “saumensch” vindo do “saukerl” de dez anos de idade…
Talvez seja o desespero de tudo…

E de tanto talvez se fez a certeza por inteiro.

 

Como criar um hábito de leitura?

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Foto do we ♥ it

“Meus livros são minhas ferramentas. Também servem como meus conselheiros, minha consolação e meu conforto.” (Charles Spurgeon) ♥

Imagine a cena: você, uma tarde de sol com o vento soprando bem de leve, um lugar calmo, uma xícara de café e um livro. Momentos como esses, ao meu ver, são os mais perfeitos. Como poderia ter algo melhor do que se desligar do mundo e se perder dentro de um universo encantador?

Ah é. Só tem um problema. Você odeia ler. Como alguém consegue ficar mais de 10 minutos segurando um livro? Afinal, tem a internet chamando, tem a casa de algum amigo pra ir ou algo pra fazer… Bom, é. A verdade é que sempre vai ter algo pra fazer. Eu sei, gente.

Sabe, a paixão pelos livros não é algo do tipo “Ah, hoje eu vou me viciar em livros. Vou pegar dois livros de quinhentas páginas e ler em 2 horas!”. Não… Vai de pouco a pouco. Hoje você pega um livro, demora dois meses pra ler, pega outro, demora um mês, e assim vai. Cada livro é um desafio, um novo mundo te esperando. E é um universo tão, tão lindo… Por isso, aqui vão algumas dicas:

– Seja firme.
Decidir que vai começar a ler é fácil, mas o primeiro desafio começa sempre nas primeiras páginas. É um livro novo, você ainda não conhece a história, e ainda não se sente animado para continuar a ler. Continue do mesmo jeito! Tenha em mente que toda a história sempre tem algo de bom para te passar.
(E mesmo que a história seja muito, MUITO ruim, ao menos você já sabe o que não ler novamente!)

– Não estabeleça horários.
“De tal hora a tal hora eu vou ler”: É furada. A não ser que você seja realmente muito disciplinado, em uma ou duas semanas você vai sair do ritmo. Mas é simples! Você já decidiu: vai começar a ler de verdade. Nos seus horários vagos (antes de dormir, no intervalo da escola ou na troca de professores, dentro do ônibus, no banheiro.. HAHAHA) pegue o livro e leia. Quando a história começar a te prender, vai ser natural querer trocar uma hora de computador por uma hora de leitura.

– Sempre chegue no próximo capítulo!
Começou a ler? Ótimo! Não pare no meio de uma página ou frase, porque assim, quando você pegar o livro novamente, vai acabar se perdendo de onde estava. Coloque na sua cabeça: “Só vou parar quando chegar no próximo capítulo!” Assim, você lê mais e ainda grava melhor a história!

– Sempre leve um livro consigo.
Se prestar atenção, vai ver que sempre vai ter uma oportunidade para ler. Mas, como vai fazer isso se o livro não estiver com você? Sempre mantenha um livro dentro da bolsa, da mochila, do carro, da mesa do escritório.. Sempre! Ter um livro por perto é sempre o mais importante.

– Encontre seu gênero preferido.
Não adianta. Podem te recomendar tal livro um milhão de vezes mas, se não for o tipo de livro que você goste de ler, você simplesmente não vai ler. Para começar, leia vários livros, cada um de um gênero diferente. Um de romance, outro de suspense, outro com aqueles mistérios policiais… Encontre o livro que mais se adapta com você!

(Sugiro começar com um romance policial. Um bom mistério faz bem a alma, sabe? E são os livros mais fáceis de se apegar, tamanha a vontade de saber a resolução do caso!)

E eu paro por aqui. Espero que as dicas tenham sido de ajuda!
Quando vocês descobrirem o mundo que a leitura pode te proporcionar, vão saber que já deveriam ter começar a ler há muito tempo…

A culpa é das estrelas, por John Green

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É um livro fantástico.

Eu realmente não sei se eu vou conseguir falar direito sobre esse livro, porquê afinal, como você fala sobre algo tão contraditório, tão profundo e tão, tão intenso?

A culpa é das estrelas, livro do John Green, conta a história de Hazel e Gus. Hazel tem 16 anos e tem câncer terminal desde os 13, enquanto Gus é um garoto bonito que um dia, aparece no grupo de apoio a crianças com câncer, que Hazel visita. A partir daí, tudo começa a mudar. Ambos querem sobreviver, sofrem pelo câncer, etc… Certo? Errado.

O que torna esse livro tão fantástico é que ele é um clichê totalmente original. Não é mais um romance previsível sobre a história de dois jovens que se apaixonaram mais vão morrer em breve por causa do câncer e que vai te fazer chorar no final e pensar “Oh, que história triste, o câncer é realmente algo terrível”. Não!

Esse livro é tão… pessoal. Como eu falo sobre um livro que parece que a história também é minha? A Hazel e o Gus são tão reais! Poderiam ser eu, você, amigos, pessoas comuns que a gente encontra na rua. Não é um livro com grandes reviravoltas, grandes acontecimentos, grandes surpresas… é a vida real. É a vida que vivemos de fato: acordamos, tomamos café, as vezes estamos mal-humorados, tem dias que não tem nada pra fazer, sentimos tédio, ouvimos música, lemos livros, choramos com filmes…

Eu me coloquei no lugar da Hazel e do Gus o livro inteiro e é exatamente isso que me fez amar e odiar esse livro com tanta intensidade. John Green mostra a vida de quem tem câncer do jeito que ela é, sem máscaras, sem sensacionalismo, só como a grande droga que é. E isso te faz ter raiva! Te faz ter raiva pensar que doenças assim existam, te faz ter raiva pensar que ela tenha de transformar tantas vidas de forma irreversível, porquê poderia ser você. E é tudo uma imensidão contraditória e sufocante. Ao mesmo tempo que eles já não acreditam na vida, eles tentam sobreviver todos os dias. Ao mesmo tempo que as coisas são banais, elas são importantes. Ao mesmo tempo que o câncer é algo permanente na vida da Hazel e que é um peso na vida dela, câncer é o que menos se fala no livro. E é o que mais se fala, também, porquê é a VIDA dela. Entende? O amor, no livro, também não é romance. O amor é só… amor. É o amor que eles não estavam procurando e não queriam achar, mas está lá. E é lindo!

Eu amo a forma com que a Hazel tem um livro preferido e o empresta para o Gus, amo o jeito que o Gus ouve as músicas da banda preferida dele, amo a metáfora do cigarro, amo (e odeio) a relação deles com o Peter Van Houten, amo a forma com que o John consegue transformar tudo em algo tão incrível de uma forma TÃO banal. É como um tapa na cara.

Tudo é indireto, subjetivo, nas entrelinhas. Eu quero que vocês entendam o quão lindo esse livro é pra mim e o tanto que ele me marcou, mas quem consegue descrever sentimentos?
Ah é. O John Green.

Com relação ao livro por si só: a capa é linda (Com o céu! ♥), a fonte e espaçamento são ótimos e as páginas são amareladas.

Depois desse livro, leio até a lista de compras pro supermercado do John.