Como é o curso de Relações Internacionais?

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Há duas formas de falar sobre esse curso: a versão curta ou a longa. A longa é todas as coisas que vou escrever aqui embaixo.
Já a curta é a minha resposta de sempre quando me perguntam o que eu estudo: eu estudo o curso mais lindo do mundo. Relações Internacionais é o curso mais lindo do mundo.

Relações Internacionais (R.I. ou Rel) é um curso relativamente novo. O primeiro do Brasil foi na UnB, em 1974, e ainda é desconhecido por muita gente. Falando de forma simples, relações internacionais é um curso que estuda o mundo interligado e as relações entre povos, países, empresas, indivíduos e outros no sistema internacional. Estuda as mudanças globais mais diversas (políticas, climáticas, ameaças transnacionais como terrorismo, comunicação, educação, direitos humanos, segurança internacional, comércio) e como elas afetam e transformam todo o mundo.

Acho que a melhor forma de explicar é através de perguntas. Consigo dividir melhor em tópicos e falar tudo direitinho!

1. Como o curso surgiu?

Há uma “data de nascimento” das relações internacionais: 1648, com a Paz de Westphalia. Há a consolidação desse campo de estudo no mundo: 1914, Primeira Guerra Mundial.
Tudo aconteceu com uma sequência de eventos: a partir da Primeira Guerra Mundial, a visão de mundo se transforma definitivamente e se amplia. Surge a necessidade de estudar a relação entre os países de forma mais profunda e, principalmente, encontrar uma forma de proteger o mundo de novas guerras. Cria-se a Liga das Nações. Vem a Segunda Guerra e, com ela, nazismo, fascismo, holocausto, genocídio e uma destruição ainda maior. Cria-se a ONU e a interdependência entre os Estados cresce ainda mais como nunca antes. O socialismo que apresentou-se ao mundo com a Rússia, no final da primeira guerra, transforma-se na Guerra Fria. Anos depois, o capitalismo vencedor acelera o consumo, desenvolve tecnologia e nos traz a globalização.
A partir da globalização e de todas as suas conexões, oras, estamos todos lado a lado. Claro que já haviam muitos estudiosos das antigas relações internacionais (Tucídides, lá em 431 a.c., teria sido o primeiro) mas o campo de estudo como o conhecemos hoje surge nesse contexto. :)

2. Qual a motivação pra estudar R.I.?

Lembro que no primeiro dia de aula do primeiro semestre, cada um se apresentou aos professores e aos outros colegas de turma e a maioria dos professores nos perguntou “Por que você decidiu fazer Rel?”. As respostas mais comuns foram:
1) Porque eu amo estudar línguas estrangeiras e tenho facilidade com elas
2) Porque eu quero a diplomacia
3) Porque eu amo história, política e acho que esse seria um bom curso pra mim
4) Porque é um curso daora, curso do momento (juro, um rapaz da minha sala falou isso no primeiro dia. Odiei de cara mas, surpreendentemente, hoje ele é um dos meus melhores amigos. hahahahaha)

Dessas, a que mais se aproxima do que é o curso de verdade é a terceira resposta. Gostar de estudar línguas estrangeiras enquanto aluno de Rel é bom e ajuda bastante, mas não é o que vai te prender no curso ou te fazer apaixonar por ele. Querer a diplomacia é bom, já que é uma carreira diretamente ligada com as relações internacionais, mas é só um concurso público como outro qualquer e você pode fazê-lo sendo formado em Direito, História, Ciência Política… Qualquer curso!
Agora, se você é apaixonado por história, política, economia, adora pensar a relação entre países e assuntos internacionais… Bom sinal! :)

3. Relações Internacionais é um curso difícil? 

Sim.
É um curso altamente teórico, com uma grande carga de leitura, constante em todos os semestres. Não é um curso que dê pra levar na barriga ou sem o mínimo de esforço. Em algum ponto de todos os semestres você terá 4 textos de 20 páginas para ler, dois seminários e dois artigos científicos para elaborar dentro de uma semana e você vai ficar meio doido, mas deixe-me te dizer também que você consegue e que, se você realmente gosta desses temas, vai valer a pena e você só vai gostar ainda mais.

4. O que estuda em R.I.? 

Falar sobre relações internacionais é falar sobre interdisciplinaridade e transversalidade – e é isso o que mais me fascina sobre ele. O curso se pauta em três pilares fundamentais: direito, política e economia.

Vou falar aqui da minha realidade e do meu curso, mas esses três pilares não se alteram muito em outros cursos e faculdades pelo país. :)
Em Direito, estudamos Introdução ao Direito das Relações Internacionais, Direito Constitucional, Direito Comparado, Direito Internacional Público, Direito Internacional Privado e Direitos Humanos.
Em Política, estuda-se História Mundial e Brasileira, Política Externa Brasileira, Geografia, Geopolítica, Ciência Política e Filosofia, Teorias das Relações Internacionais, Antropologia, Sociologia e Teoria Política Moderna e Contemporânea.
Em Economia, há Introdução à Economia, Economia Política Internacional, Economia Brasileira, Cooperação Internacional, Comércio Internacional e Comércio Exterior (sim, são diferentes!).

Além disso, na maioria dos cursos há simulações de negociações internacionais (como rodadas da ONU), Espanhol e Inglês Instrumental, e também Estágio Supervisionado Obrigatório, geralmente no quarto semestre.

5. E o que tem de tão lindo nesse curso, afinal? 

Dizer que um curso é “o curso mais lindo do mundo” é muuuito pessoal e subjetivo mas, ainda assim, talvez possa ser explicado.

Gosto de pensar que, se qualquer pessoa pode ser qualquer coisa, alguém que faz relações internacional pode ser ainda mais. E não falo aqui com um ar superior ou arrogante, mas sonhador: se gosto de trabalhar com educação e sou uma educadora, posso me aliar às relações internacionais e pensar em estratégias de educação globais que façam diferenças no mundo inteiro. Se sou militante de algum grupo social ou luto pelos direitos humanos aqui no meu país, posso me unir às relações internacionais e pensar nisso em um caráter global, ter uma voz que vai ser ouvida mais alto e mais longe. Entende?
Ser um internacionalista significa que você pode levar o teu país pra fora e representá-lo. Ou, por outro lado, significa ser alguém que pensa o mundo e tenta mudá-lo/melhorá-lo além das fronteiras de nacionalidade.

Relações Internacionais é, a princípio, relações interestatais – país com país. Mas é também a relação do indivíduo com o mundo, dos países com os indivíduos, das empresas e multinacionais. No mundo globalizado, é tentar entender como uma única pessoa pode afetar todo um sistema ao redor dele ou tentar mudá-lo. É lindo!

6. E como é o mercado de trabalho para um internacionalista?

É gigantesco e pequeno, ao mesmo tempo.
Por ser uma área ainda “nova” no Brasil, o mercado de trabalho brasileiro ainda é menor do que o mercado de trabalho de um país com uma política externa fortemente consolidada como os Estados Unidos, por exemplo.

O maior ramo é dentro do Governo. Há a diplomacia, embaixadas e consulados, há os ministérios (quase todos têm uma assessoria internacional), há os governos estaduais e suas respectivas assessorias internacionais também. Há APEX, IPEA, BNDES, MDIC, Presidência, Câmara/Senado.
Além do governo há, também, o ramo econômico. Multinacionais, grandes empresas, consultoria internacional, grupos de exportação, comércio exterior ou comércio internacional.
Há a área acadêmica, muito necessária (e procurada).
Por último, há os organismos e organizações internacionais. Esse é o caminho mais difícil e competitivo, mas é também o que mais faz meu coração pulsar. Existem inúmeros organismos internacionais além do sistema ONU, que tratam dos mais diversos temas: economia, direito internacional, educação, direitos humanos, saúde internacional.

Todos esses ramos e carreiras são as “formais”, por assim dizer. Mas voltando um pouquinho ao que eu disse ali em cima: relações internacionais pode se unir a tudo! Se você for um bom profissional, não há o que se preocupar.

7. Vale a pena?

Do ponto de vista econômico, sim. Relações Internacionais é um curso com boa média de salários iniciais e também a longo prazo.

Já do ponto de vista do conhecimento adquirido, sim sim sim. A transversalidade e interdisciplinaridade das R.I. te dá uma grande bagagem que poucos cursos oferecem e a dificuldade e carga de leitura do curso se encarregam de nos aprofundar em todas essas matérias. Entretanto, o mais importante é: estudar algo sob a perspectiva internacional nos faz enxergar tudo de outra forma pela diferença entre pensamentos e culturas. Isso nos molda, nos ajuda a focar nosso olhar também no outro, a pensar maior, melhor, mais abrangente. Curso mais lindo do mundo. :)

E é isso! Espero que tenham gostado.
Esse é o curso que me encanta todos os dias e que me faz ter a certeza de que fiz a escolha certa. ♥

Até mais!

p.s.: Esse post está com uma data antiga pois estava já há algum tempo aqui perdido nos meus rascunhos e finalmente o postei. =]

Olá! Comente e volte sempre! :)

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