Os meninos da rua Paulo, por Ferenc Molnár

A primeira coisa que minha mãe me disse ao me dar esse livro de presente: “Não subestime a história e não julgue o livro pela capa. Nos meus tempos de escola, e até meados dos anos 80, esse livro era leitura obrigatória em todas as escolas do País. É uma história realmente bela.”

Ainda assim, fiquei meio indecisa ao ler o livro. Não dava nada por ele, a capa não me atraía, a sinopse me parecia um tanto boba e, se eu encontrasse esse livro nas estantes de uma livraria, provavelmente passaria reto sem dar muita atenção. Confesso: li mais porquê era presente do que por vontade mesmo. Hoje, quando vou conversar com a minha mãe sobre esse livro, ela me diz: “Filha, eu não lembro muita coisa. Eu li esse livro quando tinha 10 anos, era criança ainda. O que eu lembro era que tinha as conversas dos garotos, o campinho de futebol, o loirinho… Lembro deles conversando – mas não lembro o teor das conversas. O que tornou esse livro tão especial pra mim foi o sentimento que eu lembro de ter tido ao terminar de ler ele, mesmo a anos atrás. Lembro que chorei, me emocionei profundamente e isso nunca saiu de mim. Por isso quis que você lesse também.”

Se eu visse esse livro numa prateleira de uma biblioteca, eu provavelmente o ignoraria – e perderia uma grande, grande história. Isso me diz muita coisa, sabe? É bem verdade quando dizem que não se deve julgar um livro pela capa, pela resenha, pela primeira impressão ou o que for. Todo livro sempre tem algo maravilhoso para te passar.

Eu não consigo descrever muito bem a história desse livro, mas quando eu penso nele o que me vem a cabeça é: inocência. Aquele clichê de quão bom é ser criança e de como basta apenas alguns segundos para que a sociedade destrua tudo isso. O livro fala sobre dois grupos de crianças que disputam por um lugar chamado “grund” – um campinho de futebol, disputado pelos dois lados. Os dois lados fazem guerrinhas, brigas, se unem, fazem reuniões e arquitetam planos e mais planos para a posse do tão estimado campinho de futebol, mas a história não é isso. O que torna essa história fantástica, além de dois acontecimentos gigantescos no final, são as pequenas lições intrínsecas a ela. A amizade. A união. O lutar pelo que se quer. As escolhas. As crianças, que lutam com todas as forças por algo que achamos bobo.

É muito, muito lindo tentar pensar como as crianças, se sentir parte de um mundo muito maior do que o mundo que nós, adultos, jamais teremos.
Mas o que me fez ficar chorando a ponto de soluçar no estacionamento do Extra lendo as últimas páginas desse livro enquanto meu pai fazia compras foi o final. E esse eu não posso contar. Mas, tem uma frase de “A culpa é das estrelas” (resenha) que se encaixa perfeitamente para descrever tudo: “A vida, essa meretriz, nos fod* a todos.”

Faça um favor pra mim: leia. Por favor. Não vai se arrepender.

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